DUB RECYCLE FALA SOBRE PRODUÇÃO MUSICAL E SEU NOVO LANÇAMENTO NA NIN92WO

10 de agosto de 2017 Escrito por Renan Bastazini
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Fundada em fevereiro de 2012, a Nin92wo se tornou referência dentro do cenário eletrônico nacional ao mesclar o talento de novos artistas com nomes já consagrados do mercado. Entretanto, esse não é o único ponto em que a curadoria da gravadora é digna de destaque. Alex Justino, líder do selo, conseguiu fazer uma transição harmoniosa entre a roupagem melódica que a gravadora possuía dentro do house e deep house, até o techno, estilo predominante no atual catálogo da marca que é baseada em Goiânia e por lá apresenta a Lost and Found, tradicional festa ligada a 92.

 

Sem forçar a barra e trabalhando bem cada novo lançamento e artista recém chegado ao selo, a Nin92wo revelou nomes talentosos ao mercado e chegou ao case de DJs famosos como Magdalena, Kollektiv Turmstrasse, Victor Ruiz e outros big names nacionais e internacionais. O próximo release do label apresenta novamente Dub Recycle no time, que retorna após estrear em 2016 remixando Victor Enzo. Garden EP possui duas faixas originais e um remix da aclamada dupla Touchtalk. Já no clima do lançamento conversamos com o DJ e produtor catarinense Carlos Poppi, mente por trás do projeto Dub Recycle. Confira:

 

1- Olá Dub, tudo bem? Você está prestes a lançar sua segunda parceria com a label de Alex Justino, a Nin92wo. Seguindo o remix que você fez da faixa Proper Head do Victor Enzo, o que podemos esperar agora quase um ano depois? Houve uma mudança palpável na sua percepção sonora?

 

Dub Recycle: Olá Groove Mag, primeiramente obrigado pelo convite.  Ao longo da minha carreira tive muitas fases e creio que seja esse o conceito de evolução e conhecimento, sempre aprimorando e tentando dar meu máximo em tudo que faço. Há três anos venho me dedicando fielmente ao techno melódico e melancólico. O remix para o Enzo foi uma fase em que estava me habituando com a linha mais progressiva e mais pista, foi um trabalho legal, confesso que gostei. Atualmente, definitivamente consegui me encontrar, misturar tudo que gosto, melancolia, melodia e groove, digamos que um “Deep Techno”, o EP Garden é exemplo disso e tem sido bem aceito pelos colegas.

 

2- A conquista de ver um projeto tomando forma é uma sensação sem igual, mas nos faz pensar: e os que ainda não tomaram forma? Conta para a gente, quais são seus projetos que ainda não aconteceram? E porque?

 

Dub Recycle: Atualmente sinto mais a vontade tocando minhas próprias músicas, creio que seja por estar mais confiante e essa sensação é sem dúvidas a melhor possível. A confiança em si mesmo é sempre um desafio muito grande e eu me policio 24 horas ao dia.  Estou com muita coisa pronta e já prestes a lançar e essa é só mais uma etapa de auto conhecimento, terei muito desafios pela frente, assim como todos. É isso que nos faz crescer e sempre buscar melhorar. Sobre os projetos, pretendo futuramente lançar uma versão live do meu trabalho, mas ainda preciso amadurecer isso com muito carinho, pois quero fazer algo que seja bem elaborado e ainda não me sinto preparado para isso, mas é uma ideia que possivelmente irá acontecer.

 

3- A Nin92wo é uma label conhecida por fermentar um espaço confortável para que artistas possam explorar seus limites sonoros e a maneira como os gêneros da música eletrônica interagem. O que você acha que cria esse tipo de ambiente e liberdade? Você sente que isso ajuda na hora da produção de maneira significativa?

 

Dub Recycle: Sem dúvidas, isso ajuda e muito o artista colocar suas ideias em prática sem muita cobrança e é isso que faz do artista, um artista! [risos]. O Alex é um cara que sempre me passou conselhos promissores e que me ajudou muito, todos precisamos de um olhar de fora para progredir e hoje em dia é muito difícil alguém doar alguns minutos do seu tempo para os colegas, muitos encaram esse meio como disputa. Ma produção o que  deve existir é união, mas a maioria não entendeu isso ainda. Eu sempre que posso ajudo a todos a todo momento, sem hesitar. A Nin92wo com certeza faz jus a esse principio.

 

4- Você acha relevante, hoje em dia, delimitar tracks e sets em gêneros da música eletrônica milimetricamente exatos, ou você acha que o poder está no fluxo orgânico da musicalidade que transita entre os estilos?

 

Dub Recycle: Isso varia de cada um, é uma opinião particular não podemos encarar como regra. No meio da produção de música eletrônica eu defendo a delimitação, pois só assim criamos uma personalidade. O que você está ouvindo não é só a música dele, mas o sentimento e a alma, algo muito variável não passa a mensagem exata de quem você é. Exemplos disso é quando você ouve uma musica sem conhecer e de cara você já deduz o artista, exatamente aí que entra a personalidade. Exemplos disso são Stimming, Recondite e Radio Slave, artistas muito intimistas e que se você os conhece profissionalmente vai notar tudo isso que citei. Já na parte de pista e discotecagem essa delimitação não se encaixa como regra, depende muito do público, line-up e local, mas como disse, essa é minha opinião.

 

5- Se você pudesse dar uma dica de produção para quando você começou o que você diria?

 

Dub Recycle: As palavra que sempre digo são resiliência, persistência e dedicação, elas te levam a perfeição. Já deixei de sair inúmeras vezes para ficar no estúdio estudando e produzindo, passo mais tempo dentro dele do que em qualquer parte do planeta e sempre buscando evoluir. Assim como qualquer trabalho você precisa ser dedicado, traçar objetivos e metas – sem isso você não evolui. Ultimamente meu desafio é chegar na melhor mix possível, sempre pode melhorar, é uma busca implacável. A coordenação de volumes, cortes de frequências e profundidade são os passos mais difíceis a conseguir e a dica principal é sempre testar em vários lugares distintos, até acertar. Uma mix adequada é a que soa bem em qualquer lugar. Já tive vezes de repassar mais de 6 vezes a mix de musicas, ouvindo, testando e ajustando até acertar, é um processo bem delicado mas que faz muita diferença. Para quem não tem um estúdio 100% profissional é realmente um desafio uma mix bem feita, mas tento dar o meu máximo, sempre.

 

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